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Mulheres

Elisete Pereira: o céu é o limite


Por Donata Lustosa | 03/05/2006 - Atualizada às 16:55

Elisete durante a prova na argentina
Elisete durante a prova na argentina
Foto: Arquivo pessoal
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A brasileira Elisete Pereira não tem medo quando o assunto é distância. Fã e corredora de ultramaratonas, ela e mais onze atletas foram as primeiras mulheres a participarem do Revezamento dos Andes. Hoje aos 44 anos, ela afirma que a vida começa aos 40 anos, idade que retornou para a corrida. Confira!

São Paulo - Elisete Pereira tem 44 anos e não se cansa de correr. Aliás, a corrida é algo que a brasileira pretende praticar até quando virar uma “velhinha de bengala”. Desejo muito normal para uma Elisete que entrou na história mundial das provas de longa distância. No início desse ano ela e mais onze mulheres participaram do Revezamento da Cordilheira dos Andes. Foi a primeira vez, que um grupo composto apenas por pessoas do sexo feminino, participou da prova.

A competição é uma corrida de revezamento que acontece há mais de 10 anos na Argentina. Os participantes criam grupos de 12 pessoas e cada integrante corre uma maratona. No final cada grupo percorre o total de 506,340km.

Além de ter sido o primeiro grupo de mulheres na competição, a equipe de Elisete, a Kurufmawida, conquistou o segundo lugar da prova. Participaram do time das superpoderosas nove argentinas, uma chilena, uma uruguaia e a brasileira. Suas companhieras eram: María de las Mercedes Acuña, Luz Celeiro, Stella del Papa, Silvia Díaz, Marina Echeverría, Vanesa Gonzalez, Sonia Huayquilaf, Patricia Jelenek, Margarita Monzón, Cecilia Morales e Marcela Pensa.

Decisão - A sua participação na corrida aconteceu quase que por acaso, ou melhor, aconteceu por causa da internet. ”No ano passado eu corri os 100km da Argentina e fiz algumas amizades. Comecei a participar de um fórum de corrida das pessoas de lá e vi que o pessoal estava se agitando para fazer essa prova dos Andes. Então eu sugeri que se criasse um grupo só de mulheres. Parece que foi transmissão de pensamento, porque uma argentina já havia pensado nessa possibilidade”, conta Elisete. “Mostrei meu interesse em participar na prova no grupo delas. E deu certo. Elas mandaram um e-mail falando que eu seria bem recebida”, acrescenta.

A largada da prova foi dada no dia dez de fevereiro na cidade de San Juan, na Argentina e a chegada foi realizada dois dias depois em La Serena, no Chile. Elisete foi a 11ª pessoa que correu na sua equipe.

“Eu não corri na Cordilheira dos Andes. As participantes que estavam nas etapas intermediárias pegaram os trechos mais altos das provas. O ponto mais alto era 4.722m de altitude. Uma das integrantes teve que ir dez dias antes para se aclimatar. A minha etapa já era mais simples. As cidades eram mais agrícolas e já tinha uma certa civilização. Mas mesmo assim tive dificuldade. Eu corri o tempo todo com o vento contrário. Foi uma aventura total”, revela.

Elisete completou a sua etapa em 4h48min e sua equipe, a Kurufmawida, levou dois dias e duas noites para finalizar o revezamento. “Nunca pensei que fosse participar dessa competição”, diz Elisete com gostinho de quero mais.

Agora a brasileira pretende participar de provas de 48 e 72 horas de corrida individual.


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