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Mulheres

Ádria dos Santos é exemplo de mulher brasileira


Por Donata Lustosa | 09/03/2006 - Atualizada às 07:15

Ádria começou a correr em 1987. Hoje é destaque mundial
Ádria começou a correr em 1987. Hoje é destaque mundial
Foto: Divulgação
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A reportagem do especial “Mulher” conta um pouco da história da velocista paraolímpica Ádria dos Santos. Uma Ádria que consegue correr, quebrar recordes e também cuidar da casa. Confira!

São Paulo - A velocista Ádria dos Santos é uma mulher realizada. Aos 31 anos, ela tem uma filha, carreira impecável e um currículo com 34 medalhas só de competições internacionais. Quem não conhece a brasileira, que nasceu no norte de Minas Gerais, pode até pensar que é mais uma atleta bem sucedida. Sim ela é bem sucedida. Mas Ádria também é uma mulher de muita garra.

Ela nasceu com deficiência visual e até os 18 anos tinha dez por cento da sua visão. Hoje ela enxerga apenas um clarão. Mas as adversidades da vida nunca foram um empecilho para Ádria.

Ela começou no atletismo em 1987 quando fez um teste numa associação em Minas e passou. No mesmo ano participou de uma prova de 400m e venceu. Essa é a especialidade da atleta, apesar de ter medalhas nos 100m e também nos 200m.

“Eu sempre gostei de atletismo. Fiz natação, mas não me adaptei muito. Foi no atletismo que me dei bem”, conta. E se deu muito bem. Só no ano passado ela garantiu o tricampeonato do Mundial da IAAF, além de ser eleita pela a segunda vez consecutiva como melhor atleta do ano.

“Sempre gostei de correr. Minha mãe me chamava a atenção quando eu era criança, porque tudo eu fazia correndo. Às vezes até me machucava, mas eu não conseguia fazer as coisas com calma. Acredito que é um dom mesmo”, diz a velocista.

Trabalho e família - Atualmente Ádria treina de segunda a sábado. Ela faz exercícios de pista e também musculação. Mas como tem uma filha de 15 anos, a Bárbara, ela tem que se desdobrar para cuidar da casa.

“Eu tenho que arrumar tempo para tudo, treino e família. Quando chega próximo às competições fica mais complicado e cansativo. Tem dias que treino bastante e chego cansada. Mas como a Bárbara estuda e também faz cursos, a gente se encontra mais de noite e de fim de semana”, conta. “Ela não reclama da minha rotina. Ela é uma fã e torce muito para mim. Ela só sente mais quando viajo, mas entende”, acrescenta.

Para ela ser bem sucedida é resultado de um trabalho feito com dedicação e paixão. “Quando a gente faz o que a gente gosta acaba conseguindo conciliar as coisas. Eu sempre sonhei com isso, em ser uma atleta conhecida. Batalhei para isso e me sinto bem fazendo o que eu gosto. Quando a gente faz o que gosta tudo dá certo”.


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