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Mulheres

Ana Luiza, a Animal: do submundo para o paraíso


Por Alexandre Koda | 04/01/2007 - Atualizada às 21:00

Ana Luiza representará o Brasil na Meia da Disney
Ana Luiza representará o Brasil na Meia da Disney
Foto: Fernanda Paradizo
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Ana Luiza dos Anjos Garcez, a corredora conhecida como “Animal”, já foi moradora de rua, usava drogas, mas através do esporte deu a volta por cima e se tornou uma atleta de ponta. Ex-moradora dos bancos do centro velho de São Paulo, ela está prestes a realizar um sonho: conhecer os parques de Walt Disney World, onde participará da Meia Maratona no dia seis.

São Paulo - Ana Luiza passou um bom tempo da vida na Febem, pois sua mãe não tinha para onde levá-la e a abandonou na instituição. “A mulher que me teve me levou para lá e depois que completei 18 anos me arrumaram um emprego de doméstica e me tiraram de lá”.

Porém, o que poderia ser o início de uma nova vida para Ana, foi o começo de um pesadelo. “Trabalhei cinco meses na casa da mulher e ela não me pagou”, conta. Tomada pela raiva de não receber o que lhe era devido, ela resolveu dar uma lição na patroa e roubou todos os pertences de valor da casa.

Ela então usou o poder de persuasão obtido nos anos que passou na Febem e pediu ajuda para um soldado do corpo de bombeiros, para embarcar em um ônibus de linha, coma as malas onde estavam os frutos do roubo. Ela seguiu rumo à Praça da República e distribuiu os objetos para os moradores de rua.

Vivência nas ruas - Com o tempo ela ganhou a confiança de todos na região e cheirou cola pela primeira vez: “Eu não gostei no começo, mas depois comecei a achar legal, mexia com a cabeça e dava barato”. Com o passar do tempo a cola não fazia mais efeito e ela partiu para outras drogas, como a cocaína e remédios para ficar acordada a noite inteira. “Se eu dormisse, tinha medo de alguém fazer algo errado comigo, como me estuprar”, lembra.

Ela começou então a roubar as pessoas para ter dinheiro para a comida e para as drogas; chegava por trás das vítimas e as ameaçava de morte caso não passassem a carteira e outros objetos de valor. Em um dos acessos de loucura provocado pela droga, ela subiu em um viaduto e quase se jogou. “Eu estava tão louca que achava que podia voar, ouvia o E.T. me chamar. Aí, tinha uma bicha que morava comigo, que me puxou e me jogou no chão”.

Conhecida como “Tia Punk”, ela chegou a ser ameaçada de morte por um grupo de trombadinhas, mas teve pulso forte e encarou os marmanjos. “Vai me matar por que? Se quiser matar, mate agora, atira na minha cabeça”. Porém, ela foi logo defendida pelo grupo que ela liderava e não houve conseqüências sérias.

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