Todos os médicos dizem que gravidez não é doença, que a grávida não deve levar uma vida sedentária e deve ter uma alimentação saudável e balanceada. Porém, como fica a vida de uma corredora após engravidar? Ela pode continuar correndo, deve parar em determinado mês de gestação?
Para responder à essas e outras perguntas, conversamos com a ginecologista e obstetra, doutora Magali Alvarez.
Webrun – Doutora, uma atleta que engravida pode continuar a correr, ou deve parar?
Dra. Magali – Existem controvérsias entre os médicos. Alguns acham que a grávida não deve correr, mas apenas caminhar. Porém, eu não vejo problemas, desde que a paciente já esteja acostumada a praticar o esporte.
Webrun – A senhora já teve alguma paciente atleta?
Dra. Magali – Não uma corredora especificamente. Mas tive uma paciente que era jogadora de vôlei e continuou jogando até os oito meses.
Webrun – Quais os problemas que uma grávida pode ter ao correr?
Dra. Magali – O impacto da corrida pode forçar os ligamentos do útero e provocar dores na paciente e essas dores podem camuflar algum problema mais sério na gestação. Outra questão está no fato de que a grávida tem um amolecimento natural das articulações e dos ligamentos durante a gestação, o que aumenta o risco de queda e, conseqüentemente de bater a barriga.
Webrun – E quais as conseqüências que a grávida pode ter ao bater a barriga?
Dra. Magali – Em caso de contusão da barriga, a placenta pode descolar, levando assim à um parto prematuro ou até mesmo ao óbito do bebê.
Webrun – O que a senhora recomendaria então, para uma atleta que está acostumada a correr, engravida, mas não quer parar de praticar o esporte?
Dra. Magali – Se ela estiver habituada, eu recomendo que diminua um pouco o ritmo dos treinos, evitando fazer esforços excessivos, durante pelo menos os três primeiros meses. Assim, a paciente pode ficar atenta ao seu corpo e avaliar se está sentindo algo diferente.
A Doutora Magali é uma das que defende a bandeira de que a gestante deve correr caso já esteja acostumada a isso e não recomenda que ela inicie a prática após o início da gravidez, caso nunca tenha corrido antes.
Porém, é sempre bom consultar seu ginecologista sobre o assunto, pois ele certamente terá uma orientação específica para cada caso.